O crescimento da hipertensão arterial no Brasil nas últimas duas décadas revela uma relação direta entre mudanças no estilo de vida e o aumento de doenças crônicas. Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos diagnosticados com hipertensão passou de 22,6% em 2006 para cerca de 30% em 2023, o maior patamar da série histórica, o que representa um aumento de aproximadamente 7,4 pontos percentuais, ou mais de 30% de crescimento relativo no período. De estudos e pesquisas de instituições médicas, emergem outro dado muito preocupante: o aumento de casos entre jovens e crianças. Na faixa de 18 a 24 anos, 28% dos homens relatam hipertensão em algumas regiões, superando o público feminino da mesma idade, segundo a Sociedade Brasileira de Clínica Médica. E cerca de 5% das crianças e adolescentes no Brasil já apresentam a doença, segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão. Para a médica cardiologista Adriana Bellini Miola, do IMC – Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de São José do Rio Preto, o aumento de casos de hipertensão em várias faixas etárias resulta de vários fatores. “Esse avanço está diretamente associado ao envelhecimento da população, mas também ao aumento da obesidade, do sedentarismo e da alimentação rica em sódio, fatores que elevam progressivamente a pressão arterial e ampliam o número de pessoas expostas a complicações graves como infarto e AVC”, afirma a cardiologista. Esse cenário se agrava porque hábitos cotidianos levam a um efeito acumulativo no organismo: o consumo excessivo de sal provoca retenção de líquidos e aumento do volume sanguíneo, o sedentarismo reduz a capacidade cardiovascular e o excesso de peso aumenta a resistência dos vasos, o que eleva a pressão de forma contínua. Como consequência direta dessa combinação, a hipertensão, que historicamente era mais prevalente em idosos, passa a ser diagnosticada com maior frequência em faixas etárias mais jovens. Embora os dados nacionais ainda mostrem maior concentração da doença em idosos, estudos recentes indicam crescimento de casos em adultos jovens, associado principalmente ao estilo de vida moderno. Segundo Dra. Adriana, essa mudança no perfil etário ocorre porque os fatores de risco passaram a surgir mais cedo. “Estamos observando pacientes cada vez mais jovens com pressão alta, e isso é consequência direta de uma rotina marcada por má alimentação, sedentarismo, estresse e sono inadequado. O organismo responde a esses fatores elevando a pressão arterial de forma progressiva”, afirma a cardiologista do IMC. Como efeito, a exposição prolongada à pressão elevada ao longo da vida aumenta significativamente o risco de eventos cardiovasculares precoces. A gravidade da situação é ampliada pelo fato de que a hipertensão é, na maioria dos casos, assintomática, o que impede o diagnóstico precoce e favorece a progressão silenciosa da doença. Como consequência direta, milhões de brasileiros convivem com níveis elevados de pressão sem saber, permitindo que o problema avance até provocar danos estruturais aos vasos sanguíneos, endurecimento das artérias e sobrecarga do coração. “A hipertensão é chamada de doença silenciosa justamente porque pode evoluir por anos sem sinais claros. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes o paciente já apresenta alguma complicação”, alerta Adriana Bellini Miola. Esse processo leva a uma cadeia de efeitos clínicos: a pressão elevada danifica os vasos, o que compromete a circulação e aumenta o risco de obstruções, resultando em infarto e AVC; ao mesmo tempo, sobrecarrega o coração e pode levar à insuficiência cardíaca; além disso, prejudica os rins, favorecendo a insuficiência renal. Como resultado, a hipertensão se consolida como um dos principais fatores de mortalidade no país. Apesar desse cenário, o controle da doença é possível e gera impacto direto na redução dessas complicações. A adoção de hábitos saudáveis atua na causa do problema, reduzindo a pressão arterial, enquanto o tratamento medicamentoso controla seus efeitos no organismo. “O tratamento é eficaz quando o paciente entende que a hipertensão exige cuidado permanente. Controlar a pressão significa evitar complicações graves e garantir qualidade de vida”, reforça a cardiologista. Diante desse contexto, o aumento consistente dos casos nas últimas décadas, somado ao início mais precoce dos fatores de risco, evidencia uma relação clara de causa e efeito entre estilo de vida e hipertensão. Isso torna o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão um momento estratégico para alertar que, embora silenciosa, a doença tem origem conhecida, evolução previsível e, principalmente, pode ser evitada e controlada com diagnóstico precoce e mudança de hábitos. Padrão 12x8 agora é pré-hipertensão, não mais pressão normal O Dia Nacional é importante também para que as pessoas se lembrem de uma mudança que impacta no cuidado com a saúde, ocorrida no ano passado. A pressão arterial considerada de risco mudou de patamar. Nova diretriz endossada por três sociedades médicas e divulgada em setembro passou a enquadrar como pré-hipertensão indicadores entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9 (120-139 mmHg sistólica e/ou 80-89 mmHg diastólica). A diretriz foi elaborada pelas Sociedades Brasileiras de Cardiologia, Nefrologia e de Hipertensão. Segundo o cardiologista e diretor do IMC, Dr. Luciano Miola, a pressão 12 por 8 ainda é considerada normal para as pessoas que não têm comorbidades, como fumo, diabetes e obesidade. "Já para as pessoas com estas comorbidades, 12 por 8 já é considerada pré-hipertensão. O objetivo da reclassificação pelas sociedades médicas é reforçar a prevenção. Nesta fase, sem que a hipertensão esteja totalmente instalada, os médicos devem recomendar mudanças no estilo de vida e, dependendo do risco do paciente, podem até receitar o uso de medicamentos", afirma o cardiologista.
A Austa Clínicas marcou presença na programação da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT) da TV Record, levando informação e orientação sobre os impactos do sedentarismo na saúde. A palestra foi realizada no dia 14 de abril, às 10h30, e reuniu colaboradores da emissora em um momento de conscientização e cuidado. Com foco na promoção da saúde e na prevenção de doenças, a participação do Austa teve como objetivo destacar a importância da prática regular de atividades físicas e da adoção de hábitos mais saudáveis no dia a dia. Durante o encontro, especialistas compartilharam orientações práticas e acessíveis, reforçando como pequenas mudanças na rotina podem contribuir significativamente para a qualidade de vida. A iniciativa reforça o compromisso do Austa Clínicas em atuar de forma ativa na promoção da saúde também fora de seus espaços assistenciais, ampliando o acesso à informação e incentivando o cuidado preventivo em diferentes ambientes.
Celebrado em 14 de abril, o Dia Mundial da Doença de Chagas é um importante momento de conscientização sobre uma enfermidade que, embora tenha reduzido significativamente sua incidência ao longo dos anos, ainda representa um desafio relevante de saúde pública no Brasil. Historicamente endêmica na região noroeste paulista, a doença segue presente e pode trazer complicações graves, especialmente quando não diagnosticada precocemente. “Apesar do número de chagásicos ter diminuído muito, hoje ainda tratamos frequentemente pacientes com cardiopatia chagásica e arritmias malignas”, alerta o cardiologista Adalberto Menezes Lorga Filho, especialista em arritmias do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC). Uma doença silenciosa e ainda subdiagnosticada Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 2 milhões de brasileiros convivem com a doença de Chagas — muitos sem saber. Estima-se que até 70% dos infectados não tenham diagnóstico, o que reforça o caráter silencioso da doença e sua evolução lenta. Outro ponto de atenção é a mudança nas formas de transmissão. Embora o inseto barbeiro seja o vetor mais conhecido, casos recentes indicam contaminação por ingestão de alimentos contaminados. Neste ano, por exemplo, um surto registrado no Pará resultou em mortes. Além disso, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios. “Apesar dos avanços da medicina, a doença de Chagas ainda é negligenciada. A maioria dos pacientes descobre a infecção apenas quando já apresenta comprometimento cardíaco ou digestivo importante”, explica o especialista do IMC. Complicações cardíacas e risco de arritmias graves Entre as principais consequências da doença está o desenvolvimento de arritmias cardíacas, que podem evoluir para quadros graves e até levar à morte. Nesse cenário, o Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), em São José do Rio Preto, se destaca como um dos poucos centros no Brasil com expertise no tratamento dessas complicações, incluindo casos complexos de arritmias associadas à doença de Chagas. A instituição possui uma longa trajetória no cuidado de pacientes chagásicos e foi pioneira em diversas abordagens, incluindo a implantação de marcapasso em pacientes com a doença ainda nas décadas passadas. Tecnologia avançada: ablação epicárdica amplia chances de tratamento Entre os avanços mais relevantes está a ablação epicárdica, um procedimento moderno e minimamente invasivo utilizado em casos mais graves de arritmias. Diferente da técnica tradicional (ablação endocárdica), que acessa o coração por dentro dos vasos sanguíneos, a ablação epicárdica atua na parte externa do coração, região onde, em muitos casos de doença de Chagas, estão as cicatrizes responsáveis pelas arritmias. “O procedimento é realizado por meio de uma pequena punção abaixo do tórax. A partir desse acesso, inserimos um cateter até o epicárdio, onde aplicamos energia em pontos críticos para eliminar os circuitos das arritmias”, detalha o Dr. Lorga Filho. Essa abordagem permite tratar áreas que antes não eram alcançadas pelos métodos convencionais, aumentando as chances de sucesso e reduzindo a recorrência dos episódios. Referência nacional no tratamento da doença Desde a década de 1960, o IMC se consolidou como uma das principais referências no Brasil no tratamento da doença de Chagas, especialmente por estar localizado em uma região que já foi altamente endêmica. Ao longo dos anos, a instituição acumulou ampla experiência clínica e segue investindo em tecnologia e inovação para oferecer tratamentos cada vez mais eficazes. A ablação epicárdica é um exemplo desse avanço na cardiologia moderna, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes com arritmias complexas. “Em muitos casos, essa abordagem pode ser decisiva para reduzir o risco de complicações graves, incluindo a morte súbita, além de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, finaliza o especialista.
No Dia Mundial da Saúde, a Austa Clínicas reforça um compromisso que vai além das unidades de atendimento: estar presente onde a vida acontece, inclusive no campo. Nesta data, a operadora esteve na Cerradão, levando informação, orientação e cuidado diretamente às equipes que fazem o agro acontecer todos os dias. Mais do que uma ação pontual, a iniciativa representa um olhar atento à saúde de quem está na linha de frente de um dos setores mais importantes do Brasil. Promover saúde no ambiente de trabalho, especialmente no contexto agroindustrial, é essencial para garantir não apenas o bem-estar dos colaboradores, mas também a sustentabilidade das operações. Rotinas intensas, exposição a fatores de risco e a própria dinâmica do campo exigem uma atenção constante à prevenção e à qualidade de vida. "Durante a ação, reforçamos a importância de hábitos saudáveis no dia a dia, com orientações práticas, como a importância em ter uma alimentação equilibrada, manter a hidratação, ter cuidados com o corpo e com a saúde mental, além da importância de fazer um acompanhamento regular da saúde", cita Juliana Pagliato, gerente de Relações Empresariais da Austa Clínicas. A Austa Clínicas acredita que o cuidado começa pela informação e que quando ela chega de forma acessível e próxima da realidade das pessoas, seu impacto é ainda maior. E que levar saúde para dentro do agro é valorizar pessoas, fortalecer equipes e contribuir para um futuro mais saudável e produtivo.