A obesidade infantil tem se tornado uma preocupação crescente para famílias e profissionais de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 3,1 milhões de crianças brasileiras menores de 10 anos vivem com obesidade, condição que aumenta o risco de diversas doenças e pode trazer consequências para a saúde ainda na infância e ao longo da vida adulta. Fonte: Ministério da Saúde. Embora fatores genéticos tenham influência no desenvolvimento da obesidade, especialistas alertam que os hábitos da rotina exercem um papel fundamental no aumento dos casos observados nas últimas décadas. A endocrinologista pediátrica Dra. Camila Fochi, da Austa Clínicas, explica como mudanças no estilo de vida, alimentação e comportamento têm contribuído para o crescimento do excesso de peso entre crianças e adolescentes. Segundo a médica, a obesidade é uma condição multifatorial, resultado da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. "Existe, sim, a influência de múltiplos genes, e o histórico familiar de obesidade é importante. Mas o meio ambiente é o que dispara o quadro clínico da obesidade. No mundo atual, o principal fator é o estilo de vida que estamos levando" De acordo com a especialista, as crianças estão mais sedentárias e consumindo com maior frequência alimentos de alta densidade calórica, especialmente os industrializados e ultraprocessados. "São alimentos que concentram muitas calorias em pequenas quantidades. A criança ingere mais calorias, se movimenta menos e, com isso, ocorre um balanço calórico positivo que favorece o ganho de peso". Entre os fatores que ajudam a explicar essa mudança de comportamento está o aumento do tempo dedicado às telas. Celulares, tablets, computadores e televisões passaram a ocupar uma parcela significativa do tempo livre das crianças, reduzindo momentos antes destinados às brincadeiras e atividades físicas. Para a Dra. Camila, a principal relação entre telas e obesidade está justamente no aumento do sedentarismo. "Antigamente, a criança precisava se virar para brincar. Andava de bicicleta, inventava brincadeiras e passava mais tempo em movimento. Hoje, a tela está presente em praticamente todos os ambientes e isso contribui para que os indivíduos fiquem mais sedentários". Além da influência sobre o peso, a médica ressalta que o uso excessivo de telas também pode impactar o neurodesenvolvimento, especialmente nos primeiros anos de vida. "A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças menores de dois anos não sejam expostas a telas porque esse período é fundamental para o desenvolvimento cerebral. Além disso, quanto mais tempo a criança passa em frente às telas, menos tempo ela dedica a brincadeiras e atividades que estimulam o movimento, o que contribui para o sedentarismo". Problemas de saúde associados à obesidade infantil Segundo a endocrinologista, crianças com sobrepeso ou obesidade apresentam maior risco de desenvolver alterações metabólicas, como colesterol elevado, hipertensão e diabetes tipo 2. Além disso, a condição pode trazer repercussões ortopédicas, dificuldades respiratórias e impactos emocionais relacionados à autoestima e ao convívio social. "Muitos pacientes chegam ao consultório por conta do bullying na escola. A questão psicossocial também é muito importante e pode afetar significativamente a qualidade de vida dessas crianças." A preocupação não se limita à infância. Crianças com obesidade têm maior probabilidade de permanecer obesas na vida adulta. "Quanto mais tempo o organismo permanece exposto ao excesso de peso e às alterações metabólicas associadas, maior tende a ser o risco de desenvolver doenças cardiovasculares no futuro. Por isso, a prevenção e o acompanhamento desde a infância são tão importantes." Prevenção Diante desse cenário, a prevenção deve envolver toda a família. Para a Dra. Camila, pequenas mudanças de hábitos podem fazer diferença quando adotadas de forma consistente e coletiva. "Não adianta apenas uma criança mudar os hábitos. Todos devem participar do processo. Alimentação saudável e atividade física são importantes para todos, independentemente do peso". A especialista recomenda reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, estimular refeições mais equilibradas e incentivar a prática regular de atividades físicas. Outro passo importante é estabelecer limites para o uso das telas e criar oportunidades para que as crianças se movimentem mais no dia a dia. "A melhor atividade física é aquela que a criança gosta e consegue manter. Não existe uma modalidade perfeita. O importante é que ela se movimente".
Cardiologista do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) explica riscos da cardiomiopatia hipertrófica e alerta para impacto no coração do uso de anabolizantes e de testosterona mau indicada A morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, trouxe novamente à tona um problema cardíaco silencioso que pode provocar morte súbita em jovens aparentemente saudáveis: a cardiomiopatia hipertrófica. O atestado de óbito divulgado pela imprensa aponta a doença como possível causa da morte, enquanto autoridades ainda investigam fatores associados, incluindo o eventual uso de anabolizantes. A cardiomiopatia hipertrófica é caracterizada pelo aumento anormal da espessura do músculo cardíaco, dificultando o bombeamento adequado do sangue e favorecendo arritmias graves. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), trata-se de uma das principais causas de morte súbita em jovens atletas e praticantes de atividade física intensa. “O coração aumenta de espessura e pode perder eficiência para bombear o sangue. Além disso, esse espessamento altera o sistema elétrico cardíaco, aumentando muito o risco de arritmias potencialmente fatais”, explica o cardiologista Luciano Miola, do IMC – Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de Rio Preto. “O uso indiscriminado de anabolizantes e de testosterona não é inofensivo. Essas substâncias podem acelerar alterações cardíacas, favorecer inflamações no músculo do coração e aumentar o risco cardiovascular mesmo em jovens”, completa. Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil mortes registradas em 2022. Entre os jovens atletas, a cardiomiopatia hipertrófica aparece frequentemente associada aos casos de morte súbita relacionados ao esporte. Doença silenciosa De acordo com Dr. Miola, muitos pacientes convivem anos sem sintomas. Quando aparecem, os sinais mais comuns incluem falta de ar, dor no peito, palpitações, tonturas, desmaios e cansaço excessivo, especialmente durante exercícios físicos. “O problema é que muitas vezes o primeiro sintoma pode ser justamente uma arritmia grave ou a morte súbita. Por isso, avaliação cardiológica preventiva é fundamental, principalmente para atletas e pessoas com histórico familiar”, alerta o cardiologista do IMC. Embora a doença tenha forte componente genético, o cardiologista ressalta que o uso de anabolizantes pode agravar lesões cardíacas, aumentar a pressão arterial, provocar hipertrofia do coração e elevar significativamente o risco de arritmias e insuficiência cardíaca. O diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica pode ser feito por exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, ressonância cardíaca e testes genéticos em alguns casos. O tratamento varia conforme a gravidade e pode incluir medicamentos, restrição de atividades físicas intensas, implante de cardiodesfibrilador e acompanhamento contínuo. Segundo o cardiologista do IMC, a prevenção passa por avaliação médica regular, investigação de histórico familiar de morte súbita, atenção aos sintomas e abandono do uso de anabolizantes sem indicação médica.
No Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, celebrado em 28 de maio, especialistas reforçam a necessidade de ampliar o olhar sobre a saúde feminina em todas as fases da vida. Entre os temas que ainda são cercados de desinformação e sofrimento silencioso está a menopausa, período de intensas mudanças hormonais que pode impactar diretamente a qualidade de vida da mulher. Segundo a ginecologista e obstetra do IMC, Dra. Valéria Dória, ainda é comum que mulheres cheguem ao consultório acreditando que precisam apenas “aceitar” os sintomas dessa fase, sem compreender que existem tratamentos e estratégias capazes de proporcionar mais bem-estar e saúde. “A menopausa não deve ser encarada como um período de sofrimento obrigatório. Hoje temos informação, ciência e tratamentos que permitem que a mulher atravesse essa fase com qualidade de vida”, afirma. A especialista explica que a menopausa vai muito além da interrupção da menstruação. A queda hormonal provoca repercussões em diferentes sistemas do organismo e pode afetar desde o sono e o humor até a saúde óssea, cardiovascular e sexual. “Muitas pacientes relatam que deixaram de dormir bem, perderam energia, passaram a ter mais ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração. Algumas também sofrem com queda da libido, dores articulares e mudanças importantes na autoestima”, explica. Entre os sintomas mais frequentes estão ondas de calor, suores noturnos, insônia, cansaço, alterações emocionais, ganho de peso, ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual e sintomas urinários, como infecções recorrentes e incontinência. A médica destaca que ainda existe muita confusão entre climatério e menopausa, termos frequentemente utilizados como sinônimos, mas que possuem significados diferentes. O climatério corresponde ao período de transição hormonal da fase reprodutiva para a não reprodutiva da mulher. Já a menopausa é considerada um marco dentro desse processo, sendo confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar. “A menopausa faz parte do climatério, mas os sintomas podem surgir anos antes da última menstruação. Essa transição hormonal repercute no corpo inteiro”, esclarece. De acordo com a especialista, isso acontece porque o estrogênio, hormônio que sofre queda importante nesse período, atua em múltiplos sistemas do organismo feminino. Com a redução hormonal, aumentam os riscos de alterações metabólicas, osteoporose e doenças cardiovasculares, além dos impactos emocionais e físicos já percebidos pelas pacientes. “O que mudou nos últimos anos foi justamente a forma de enxergar essa fase. Antes, a mulher era orientada a aceitar o sofrimento. Hoje falamos em prevenção cardiovascular, preservação óssea, saúde mental, sexualidade e envelhecimento saudável”, afirma. Tratamento deve ser individualizado e olhar para a mulher de forma integral Segundo a Dra. Valéria, um dos principais avanços no cuidado com a menopausa é justamente a compreensão de que não existe um tratamento único para todas as mulheres. Cada paciente apresenta sintomas, necessidades e impactos diferentes durante essa fase da vida. “Algumas mulheres sofrem mais com insônia, outras com ansiedade, alterações urinárias, sexualidade, dores ou ganho de peso. O grande erro é tratar apenas um sintoma isolado. Precisamos olhar para a mulher como um todo”, afirma. A especialista explica que a avaliação médica envolve histórico clínico, saúde cardiovascular, metabolismo, saúde óssea, qualidade do sono, saúde emocional, sexualidade, composição corporal e estilo de vida. A partir dessa análise, é possível definir as melhores estratégias terapêuticas para cada caso. Além da terapia hormonal, quando indicada, o tratamento pode incluir atividade física, alimentação equilibrada, melhora da qualidade do sono, manejo do estresse, fisioterapia pélvica e cuidados voltados à saúde sexual e urinária. “Hoje falamos em envelhecimento saudável. A mulher moderna pode viver décadas após a menopausa, então precisamos pensar em prevenção, autonomia e qualidade de vida”, destaca. Informação e acolhimento como ferramentas de saúde Foi justamente da necessidade de ampliar o acesso à informação de qualidade sobre menopausa que nasceu o projeto Menopausa Consciência, idealizado pela Dra. Valéria Dória. A iniciativa tem como objetivo promover orientação acessível e baseada em evidências sobre saúde da mulher madura. Com abordagem multidisciplinar, o projeto reúne discussões sobre climatério, menopausa, saúde hormonal, sexualidade, saúde mental, prevenção e qualidade de vida, buscando combater a desinformação que ainda cerca o tema. “Muitas mulheres ainda acreditam que precisam simplesmente aceitar o sofrimento dessa fase. Nosso objetivo é mostrar que existe cuidado, tratamento e possibilidade de viver essa etapa com bem-estar”, afirma a médica. O conteúdo é compartilhado por meio de entrevistas e conversas com profissionais de diferentes áreas da saúde, ampliando o debate sobre envelhecimento feminino e incentivando o cuidado integral da mulher.
O Dia Mundial da Tuberculose, celebrado nesta terça-feira, 24 de março, é uma alerta para a população em geral para o risco de contágio desta doença no país, que ainda é alto. Os trabalhadores do setor sucroenergético, em particular, devem ter a atenção redobrada, pois estão expostos a vários fatores que ampliam o risco de ter a doença e transmiti-la para outras pessoas, segundo o médico infectologista Natal Santos da Silva, da Austa Clínicas. Como a tuberculose é transmitida pelo ar, a aglomeração de grande número de pessoas facilita muito a sua transmissão. “A proximidade contínua dos trabalhadores, por exemplo, no transporte em ônibus para o campo ou mesmo entre a empresa e as moradias e em alojamentos coletivos contribui para a transmissão, seja por gotículas num espirro ou tosse ou mesmo ao inalar as partículas presentes no ar”, explica o infectologista da Austa Clínicas. O tabagismo e o alto consumo de bebidas alcoólicas contribuem para a maior vulnerabilidade do sistema respiratório, estando mais suscetível à implantação da micobactéria da tuberculose. Outros fatores se somam a estes para enfraquecer o organismo do trabalhador, tornando-o mais propenso a ficar doente, como a contínua exposição ao sol, o maior esforço físico e a ingestão menor de alimentos calóricos, que tendem também a diminuir a imunidade. “Estando mais baixa, aumenta a possibilidade de reativação da tuberculose latente ou o organismo não conseguir bloquear a exposição à micobactéria da tuberculose”, pontua Dr. Natal. É fundamental, portanto, que, ao menor sintoma, o profissional tenha acesso rápido e fácil ao serviço de saúde para que o diagnóstico seja feito logo e o tratamento, iniciado, evitando inclusive o contato do paciente com seus colegas de trabalho, ressalta o infectologista da Austa Clínicas. O que é a tuberculose? A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela micobactéria Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch), que afeta principalmente os pulmões e é transmitida pelo ar, por meio da tosse, fala ou espirro de pessoas infectadas. Segundo Dr. Natal, em sua forma pulmonar, a doença apresenta como sintomas principais tosse persistente por três semanas ou mais, febre, especialmente ao entardecer, suor noturno, emagrecimento, cansaço excessivo e, em alguns casos, escarro com sangue. Como para todas as doenças, a prevenção é o mais importante, enfatiza o infectologista. Ele cita como as principais formas de prevenção o diagnóstico e tratamento precoces, a investigação de contatos próximos e, para as pessoas que convivem com doente ou suspeito de ter tuberculose, manterem ambientes ventilados e usar máscara. Contra as formas graves da tuberculose, a ação preventiva eficaz é a vacinação com BCG, principalmente, na infância. Em caso de suspeita, o infectologista da Austa Clínicas destaca ser o diagnóstico precoce fundamental para interromper a cadeia de transmissão e aumentar as chances de cura. Para auxiliar no diagnóstico, o médico conta com a baciloscopia (exame de escarro), testes rápidos moleculares e radiografia de tórax. O tratamento dura, em média, seis meses, com uso de antibióticos. Quando seguido corretamente, a cura pode ser alcançada na maioria dos casos. “Felizmente, existem avanços nas estratégias para melhorar a adesão ao tratamento como medicamentos para casos resistentes e, para a tuberculose latente, adota-se a terapia preventiva encurtada (3HP), com duração de apenas três meses. E há estudos para tratamentos ainda mais curtos, de até 28 dias”, informa o infectologista da Austa Clínicas. No cenário geral, a doença segue como um importante problema de saúde pública. A tuberculose ainda é a principal causa de morte por um único agente infeccioso no mundo, com mais de 10 milhões de casos anuais. No Brasil, foram registrados 85.936 novos casos em 2024, além de mais de 6 mil mortes em 2023, segundo o Ministério da Saúde. Nos últimos cinco anos, houve crescimento na detecção de casos, especialmente após a pandemia da covid-19, seguido de uma tendência de estabilização recente, o que indica melhora na identificação, mas também manutenção da transmissão. “Apesar de ser uma doença antiga, a tuberculose merece sempre muita atenção da população e das autoridades e instituições de saúde”, ressalta Dr. Natal. “Um dos pontos de maior preocupação é o avanço da tuberculose resistente aos medicamentos tradicionais, além da concentração da doença em grupos mais vulneráveis. Esse cenário reforça que a tuberculose não é apenas uma questão médica, mas também social, exigindo atenção contínua e políticas públicas eficazes”, completa o infectologista da Austa Clínicas.